Baixada Santista, dezembro de 2025, Entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico, a Mata Atlântica forma um dos principais cinturões verdes do litoral paulista.
No entanto, a conservação desse patrimônio natural convive com um desafio crescente: conciliar expansão urbana, infraestrutura, saneamento, turismo e ocupação do território com a necessidade de preservar áreas de floresta nascentes, rios, manguezais e restingas.
Na Baixada Santista, a preocupação ambiental não é apenas uma questão de preservação da paisagem. Documentos oficiais produzidos na região apontam a necessidade de controlar o desmatamento, a ocupação irregular e os impactos decorrentes da expansão das cidades.
Em Santos, por exemplo, o Plano Municipal de Conservação da Mata Atlântica estabelece entre suas ações o fortalecimento da fiscalização para conter o desmatamento e a ocupação irregular em áreas ambientalmente sensíveis. O município também mantém um planejamento específico para conservar os remanescentes do bioma e recuperar áreas degradadas.
Urbanização e meio ambiente no mesmo território
A pressão sobre o território também aparece nas discussões realizadas pelos municípios da Baixada Santista. Em reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (CONDESB), realizada em 16 de dezembro de 2025, autoridades regionais discutiram questões como drenagem, saneamento, resíduos sólidos, mobilidade, expansão da infraestrutura e planejamento urbano.
A reunião também destacou projetos de infraestrutura que envolvem a região da serra do Mar e do Litoral, demonstrando o tamanho do desafio de ampliar serviços e transporte sem aumentar a pressão sobre os ecossistemas costeiros.
Outro ponto de atenção está nos recursos hídricos. Deliberação do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista, publicada em 17 de dezembro de 2025, analisou o projeto de aproveitamento da bacia do Rio Itapanhaú para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. O documento ressalta que a bacia integra a vertente atlântica da Serra do Mar e que a intervenção envolve recursos hídricos pertencentes a Baixada Santista.
O problema é maior do que a derrubada da floresta
A degradação da Mata Atlântica não acontece exclusivamente quando árvores são cortadas. A fragmentação da floresta, a ocupação irregular, a abertura de vias, a impermeabilização do solo, a poluição dos rios e a alteração dos ambientes de manguezal e restinga também podem comprometer o equilíbrio ecológico.
É justamente por isso que o debate ambiental no litoral paulista precisa ultrapassar a discussão sobre o número de árvores derrubadas. A conservação depende também de planeamento urbano, fiscalização saneamento, proteção dos recursos hídricos e recuperação das áreas degradadas.
Em 27 de dezembro de 2025, a Prefeitura de Santos divulgou um balanço de ações ambientais realizadas durante o ano e destacou o programa Santos Sustentável, criado com a proposta de tornar o município mais resiliente e reconectado à Mata Atlântica. O programa prevê o uso de soluções baseadas na natureza e intervenções para transformar áreas urbanas.
Um bioma ainda sob pressão
Dados divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica em maio de 2025 mostravam que a pressão sobre o bioma continuava significativa. O Atlas da Mata Atlântica apontou que a perda de florestas maduras possou de 14.697 hectares em 2023 para 14.366 hectares em 2024, redução de apenas 2%.
Esses números são nacionais e não representam exclusivamente o litoral paulista, mas ajudam a demostrar o problema enfrentado pelo bioma do qual a Serra do Mar e os ecossistemas costeiros paulistas fazem parte.
O litoral de São Paulo, portanto, chega ao final de 2025 diante de uma contradição: ao mesmo tempo em que precisa ampliar moradia, saneamento, mobilidade e infraestrutura para uma população crescente e para milhões de visitantes, precisa preservar uma das áreas de maior importância ecológica do pais.
A questão central passa a ser quanto desenvolvimento o território consegue suportar sem comprometer os serviços ambientais que sustentam as próprias cidades.
Preservar a Mata Atlântica no litoral paulista não significa impedir o desenvolvimento. Significa estabelecer limites para que o crescimento urbano não transforme áreas de floresta, rios, manguezais e restingas em espaços irreversivelmente degradados.
Fontes:
+ CONDESB – Ata da 261ª Reunião Ordinária, 16/12/2025: documento oficial da Região Metropolitana da Baixada Santista, com discussões sobre planejamento urbano, saneamento, drenagem, resíduos e infraestrutura.
+ Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista – Deliberação nº 461, de 17/12/2025: trata de recursos hídricos e do Rio Itapanhaú, na vertente atlântica da Serra do Mar.
+ Prefeitura de santos- noticia de 27/12/2025: balanço do programa Santos Sustentável e ações de reconexão da cidade com a Mata Atlântica.
+ SOS Mata Atlântica – Atlas 2024: dados sobre a pressão e perda de florestas maduras da Mata Atlântica.
+ Prefeitura de Santos – Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica: planejamento oficial para conservação, recuperação e controle de ocupações e desmatamento.
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