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Terça-feira, 21 de Abril de 2026

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Pangolim

Nome Científico: Pholidota

Sérgio Mendes
Por Sérgio Mendes
Pangolim
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Os Pangolins  são mamíferos da ordem Pholidota que vivem em zonas tropicais da Ásia e da África.

Há oito espécies diferentes de pangolim: pangolim chinês, pangolim malaio, pangolim do cabo, pangolim filipino, pangolim-da-barriga-branca, pangolim indiano, pangolim-gigante-terrestre e pangolim-da-barriga-preta. São as únicas representantes da família Manidae e da ordem Pholidota.

A ordem é muito antiga, com representantes fósseis datando do Eoceno na Europa (Eomanis, do Eoceno Médio alemão, em Messel), América do Norte (Patriomanis) e Ásia (Cryptomanis gobiensis, do Eoceno superior da Mongólia). A relação dos folídotos com outras ordens de mamíferos ainda é motivo de muitas controvérsias, mas estudos recentes incluíram-na num táxon chamado de Pegasoferae, junto com os carnívoros, os quirópteros e os perissodáctilos.

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1. O pangolim existe há 60 milhões de anos

Os pangolins são mamíferos pertencentes à família Manidae, única representante ainda existente da ordem Pholidota. São animais antigos, com raízes há cerca de 60 milhões de anos e com poucas alterações na sua forma básica desde então.

Embora tradicionalmente fossem incluídos na ordem Xenarthra – que integra animais como os tatus, as preguiças ou os papa-formigas –, as semelhanças entre estes mamíferos e os pingolins são resultado de uma evolução convergente. Na verdade, os seus parentes mais próximos vivos são, na verdade, os Carnivora.

2. Pode ser encontrado nos continentes asiático e africano

Conhecem-se actualmente nove espécies de pangolim, sendo quatro nativas do continente africano. Nesta geografia, destacamos o pangolim-gigante (Smutsia gigantea), que pode medir mais de um metro, tamanho largamente superior ao das outras espécies.

As restantes espécies residem no continente asiático, onde tradicionalmente apenas eram conhecidas outras quatro, todas pertencentes ao género Manis. No entanto, um estudo de 2023 aponta para a existência de uma espécie adicional, descrita apenas a partir de análise genética e das suas escamas, que recebeu o sugestivo nome científico de Manis mysteria.

A separação entre os pangolins africanos e asiáticos terá ocorrido há mais de 40 milhões de anos.

3. Vive no solo ou em árvores

Embora todos os pangolins sejam insectívoros – partilhando adaptações para o efeito, como a sua longa língua pegajosa (em algumas espécies pode ser mais longa do que o próprio corpo) ou a sua completa ausência de dentes –, nem todos vivem da mesma maneira.

Enquanto que alguns, como o pangolim-gigante, são animais que passam os seus dias no solo, outras espécies, como o pangolim-malaio (Manis javanica, na imagem) ou o africano pangolim-de-cauda-longa (Phataginus tetradactyla), são essenciais ou totalmente arborícolas, possuindo caudas preênseis que podem usar como um quinto membro, e que lhes permitem até mesmo pendurar-se nas árvores.

4. As suas escamas são um verdadeiro escudo

As escamas são a característica mais chamativa e identificável de um pangolim. Cobrem a maior parte do seu corpo, com excepção da barriga e da cara. Estas não são, claro, verdadeiras escamas, como as que cobrem os répteis, mas estruturas à base de queratina provenientes de pêlos modificados.

Estamos a falar de escudos naturais extremamente resistentes, comparáveis a compostos artificiais como o kevlar, que oferecem uma enorme vantagem ao animal no que toca à protecção contra predadores.

5. O seu principal inimigo é o homem

À semelhança de animais como os tatus ou os ouriços-cacheiros, os pangolins são capazes de enrolar o seu corpos sobre si mesmo, colocando a cabeça debaixo da cauda e deixando apenas a sua armadura escamosa à vista. A forma de “bola” que assumem é, na verdade, a origem do seu nome, uma corruptela do malaio pengguling, “aquilo que rola”. 

Esta é uma estratégia muito eficaz, excepto contra o seu principal predador: o homem. Na verdade, a principal ameaça para as diferentes espécies de pangolim é captura ilegal para alimentar o mercado da medicina tradicional chinesa, onde as suas escamas são associadas – sem qualquer evidência científica que o suporte – ao tratamento de condições tão díspares como dificuldades de lactação ou artrite.

Embora o seu comércio tenha sido interdito em 2016, ao abrigo da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), continuam a ser caçados muitos milhares destes animais todos os anos, ao ponto de se estimar que este seja o maior alvo mamífero de tráfico ilegal em todo o mundo. Resultado desta prática danosa, as 4 – ou 5 – espécies asiáticas foram classificadas como em vias de extinção, enquanto as espécies africanas têm todas o estatuto de vulnerável.

6. Nasce com escamas moles

Há ainda muito para saber sobre a reprodução dos pangolins, no geral. Sabe-se, no entanto, que são na maior parte do tempo animais solitários, juntando-se apenas na altura do acasalamento.

A cria única, que nasce depois de um período de gestação de 4 a 6 meses (dependendo da espécie), apresenta escamas moles quando chega ao mundo. Porém, estas rapidamente vão endurecer, dando ao pangolim a protecção de que tanto vai precisar. Mantém-se com a mãe nos primeiros meses, findos os quais se autonomiza.

7. O crime pode não compensar

A caça e o tráfico ilegal de pangolins não são apenas um risco para os próprios. Resultam também em problemas de saúde pública para os humanos. Isto porque os pangolins são uma das espécies onde foram identificados vírus ligados a doenças de elevado risco – é o caso tanto de vírus fortemente relacionados com a SARS como com a SARS CoV-2 – ou vírus com potencial de spillover, ou seja, com potencial para saltar destes reservatórios naturais para a população humana. Assim, a perseguição a estes animais pode ter custos bem mais relevantes para a humanidade do que quaisquer ganhos que eventualmente possam daí advir.

FONTE/CRÉDITOS: Eco Exército
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Sérgio Mendes

Publicado por:

Sérgio Mendes

Sérgio Mendes, brasileiro, 62 anos, Jornalista (MTB 64.505/SP), Terapêuta Fitoterápico e ambientalista há 47 anos.

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